Transmedia Storytelling
A humanidade sempre caminhou lado a lado com as histórias. Desde o início, quando o homem das cavernas desenhava nas paredes representações do seu cotidiano ele já tentava registrar e compartilhar sua vida de alguma forma. Desde então nos envolvemos com histórias, sejam elas épicas e grandiosas, bobas e engraçadas, dramáticas e românticas, reais ou inventadas. Isso porque não é necessário que uma história seja real para ser fantástica; na verdade o que uma boa história precisa é de quatro elementos dos quais falaremos mais adiante.
O poder das histórias sobre nossas vidas é tão grande por dois motivos: o primeiro é elas são como metáforas de nossas próprias vidas que nos ajudam a compreender nossa natureza. Nós, seres humanos, temos a tendência a relacionar coisas; acreditamos que nada é por acaso, que tudo está ali e acontece de determinada maneira para que os fatos formem a história do jeito que ela é e isso nos ajude a compreender um pouco mais de nós mesmos. A outra razão é que as histórias estão presentes no nosso cotidiano de maneira avassaladora. Seja nos sonhos, no trabalho, quando vemos televisão, vamos ao cinema ou temos uma conversa. Enfim, nosso dia a dia é recheado de histórias e são elas que emprestam cor a nossas vidas; imagine como seria chato se nada acontecesse durante o dia, se não tivéssemos nada para contar, se não soubéssemos de nenhum fato novo.
Mesmo sendo tão apreciadas e valorizadas no nosso mundo, as histórias na publicidade ainda são curtas, mal aproveitadas ou mesmo sequer criadas. Isso porquê a cabeça do publicitário ainda é voltada para um modelo de negócio em que ele tem que estar preparado para ter várias ideias novas, geniais e que caibam em 30 segundos ou em uma página dupla. Quantos filmes publicitários já não vimos com uma grande ideia, grandes personagens e enorme potencial que morreu após os 30 segundos? Foi pensando nisso que surgiu o conceito de Transmedia Storytelling, cunhado por Henry Jenkins no livro Cultura Convergente. Nele ele explica que “Uma história transmídia se desdobra através de múltiplas plataformas de mídia, cada qual com um novo texto, fazendo uma contribuição distinta e valiosa para o todo”. Ou seja, para que uma história publicitária que geralmente morreria após 30 segundos se torne memorável e faça parte do contexto da empresa e da marca em questão é necessário enriquecê-la através de várias plataformas, dessa forma a marca se torna um conteúdo.
No contexto de Transmedia Storytelling o usuário se sente convidado a participar e assim a aprender e produzir novos conhecimentos. Ele vai querer saber mais sobre a história, não vai querer ficar passivo quando ele pode ser um membro ativo que entenderá melhor a história pois saberá mais detalhes sobre o tema ou mesmo que poderá contribuir para o final do enredo. Pioneiro no desenvolvimento do conceito, Jeff Gomez é considerado o maior nome da aplicação transmidiática. Ele é o responsável por expandir o universo ficcional de marcas com ótimas histórias como Coca Cola, Avatar, Piratas do Caribe e muitas outras. No Brasil, o conceito de Storytelling vem sendo aplicado por Marcelo Douek e sua equipe na Lukso. Seu objetivo é desenvolver histórias para marcas que desejam construir relacionamentos saudáveis e duradouros com seus consumidores. Dessa forma, a Lukso pega uma história já existente na empresa (ou cria uma nova que tenha a ver com seus valores) e a aplica em todos os pontos de contato com o consumidor; seja no nome até num universo virtual. Mas o fator mais importante para que esse envolvimento entre cliente e marca dê certo é ter uma boa história. E como criar essa história é a questão que trataremos agora, com os 4 elementos que foram citados anteriormente:
1. Grandes personagens: Para a construção de uma boa narrativa é de extrema importância ter a definição do protagonista e entender que ele tem uma história pregressa, um passado que mostra parte de sua personalidade e de suas características. Fica evidente também que o personagem é composto pelas escolhas que ele faz e, ao longo da história deve haver uma consistência entre todos os fatores inerentes a ele.
2. Conflito: Pode-se dizer que o conflito é a tradução do que o personagem deseja versus o que o impede de conseguir, isso acontece porque o mundo reage de forma inesperada, nem tudo sai como imaginamos que seria.
3. Universo Ficcional: A história pode ser desde verídica à fantasiosa, mas em qualquer caso ela deve seguir um raciocínio coerente dentro do universo em qual foi criada.
4. Trama bem estruturada: A organização da trama é essencial para que ela seja crível, assim como na vida real a história deve apresentar seus altos e baixos, já que é natural que haja oscilações na história.
A construção de uma boa narrativa não depende somente destes quatro elementos, a história deve ser inspiradora a ponto de cativar seus espectadores. Por isso, fica mais do que claro de que quando uma história é boa ela consegue envolver as pessoas criando uma ligação mais intensa entre o espectador e a mesma.
Conclui-se portanto, que mesmo cientes do poder de uma história, as empresas não conseguem aproveitar ao máximo seus benefícios. Contudo, com a força que o conceito de Transmedia Storytelling vem ganhando no mercado podemos esperar mudanças no comportamento da publicidade e na maneira que as empresas tratam suas marcas e as histórias que existem por trás delas. Com a maior integração dos meios de comunicação, com a crescente força das redes sociais e principalmente com a vontade do consumidor de se tornar mais participativo no relacionamento com as marcas é possível que nos próximos anos tenhamos diversas novas e boas histórias para contar e ouvir.
Débora Travassos, Michelle Hessel, Monique Coppio e Thaís Pirajá.
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